Pular para o conteúdo principal

Hora de negar os padrões e aceitar o nosso corpo.

     Hoje eu estava conversando com as pessoas da minha família quando de repente "bateu a fome". E lá se foi Ícaro em busca de algo saudável para comer. Até que ele pensou "Aff, estou com vontade de comer um doce daqueles pesados" mas logo depois veio o segundo pensamento "você vai engordar, vai ficar feio" E foi que eu descobri um dos maiores complexos da minha vida, meu corpo.
     Mas isso não é recente, começou quando eu era criança. Na realidade, eu sempre fui gordo,nunca tive problemas de saúde e não, eu não comia muitas besteiras. Tinha uma alimentação normal de toda criança.
     Na escolas eu sempre ouvi piadinhas e brincadeiras que eu não ligava mas que ficava gravado no subconsciente para quando eu precisasse engatar a minha baixa estima. Pois é, e chega um momento na adolescência que todos os adolescentes começam engatar a sua baixa estima interior para exteriorizar para o mundo. Estresse, responsabilidades escolares, amigos, espinhas, preguiça, mudanças, entre outros mil pontos que nos fazem enlouquecer facilmente e qualquer coisinha te derruba.
     Quem nunca foi gordo não sabe o quando é chato você ouvir o dia inteiro que "Você tem um rosto tão bonito, porque não emagrece?" ou "Ave, você vai comer esse brigadeiro? Por isso que não emagrece" e a melhor de todas "Você deveria fazer uma dieta para ser mais feliz". Sim, essas eram algumas coisinhas que eu ouvia de colegas, amigos, familiares mas não os culpo. Eles, assim como nós, estamos refém de uma beleza corporal padronizada.
minha cara para quando falam isso
     Como citei acima, criei um complexo com minha aparência gorda e achei que por conta disso precisava mudá-la. Entrei na academia, fiz dietas, mudei algumas coisas e emagreci. Mas o complexo continuou ali me importunando e fazendo com que eu ficasse louco em busca de um padrão impossível para meu corpo.
     Hoje estou bem melhor em relação a esses complexos mas ainda vejo muitas pessoas que entram em uma academia, fazem mil dietas, tomam remédios e hormônios para chegar em um corpo que é impossível, o padrão.
    Desde do começo das civilizações sempre estiveram padrões de corpo considerados belos para a sociedade daquela época. Ser gordo já foi bonito. Ser forte já foi bonito. Já passamos por vários padrões. Atualmente, o padrão magro definido é o considerado bonito para a maioria das pessoas. Entretanto, existem fatores genéticos que tornam impossíveis o alcance desse padrão. É impossível e mesmo assim corremos atrás dele por meio de cirurgias e outros excessos. Mas será mesmo que vale a pena? Vale a pena você largar a sua identidade corporal em busca de um modelo impossível? Não, não vale. Nós somos múltiplos e lindos(as), magro(a), gordo(a), alto(a), baixo(a). E ninguém deve decidir qual corpo você precisa ter ou não.
     Padrões mudam, belezas são relativas, mas seu corpo nessa vida, é único. Cuide dele, o ame. Afinal, você vai viver com essa casca até o final da vida.


Se tiver vontade de comer besteira, faça que nem Preta Gil e coma!


Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

A nossa miss Brasil é Preta!

     Essa edição foi a edição com mais candidatas negras na disputa. As candidatas deste ano representaram Bahia (Victoria Esteves), Espírito Santo (Beatriz Leite Nalli), Maranhão (Deise D’Anne), Paraná (Raissa Santana), Rondônia (Mariana Theol) e São Paulo (Sabrina Paiva). Segundo o IBGE, 54% dos brasileiros se consideram pretos ou pardos. Entretanto na nossa história só tinhamos tido um Miss Preta, Deise Nunes, em 1986.      Na edição do concurso no ano passado, apenas uma das 27 candidatas era negra. “Eles queriam que eu alisasse meu cabelo, afinasse meu nariz, mudasse meus traços, então, resolvi desistir”, revelou a modelo ao jornal Correio Braziliense . disse Amanda Balbino, Miss Distrito Federal.      Mas dessa vez foi diferente, depois de tanto tempo, conseguimos ter uma mulher preta como a mulher mais bonita do Brasil, a nossa miss Brasil. Temos certeza que Raissa Santana nos representará muito bem no Miss Universo...

#NaRODA e o Colorismo

  Foto da página  Desabafo Social     Fiquei um tempinho sem escrever nada por falta de ideias mesmo( risos) mas o dia de hoje foi tão incrível e produtivo, por conta disso fiz um resumo bem resumido de alguns pontos discutidos #naroda com intuito de que vocês leitores negros e negras empoderados participem dessas rodas de conversas para construímos um coletivo mais bonito, cheio de diversidade e com mais equidade.     A roda de conversa foi sobre colorismo, organizado pelo Desabafo Social, que é uma instituição que tem como missão "ser  um espaço para realizar e compartilhar práticas alternativas de direitos humanos da infância e da juventude, comunicação". O #naroda foi mediado pela estudante Ingrid Ellen, a Produtora Cultural Luma Nascimento, o estudante de Comunicação Social e integrante do coletivo Enegrecer, Pedro Batalha, e o estudante de Psicologia, Gabriel Leal.     Logo na chegada encontrei diversas pessoas empoderadas e enga...

Tempo, esperança e morte

  Como todos sabem, eu não sou nenhum pouco criterioso e não sei julgar filmes como minha amiga e colunista do blog Julliana Saleh. Entretanto, depois de assistir esse filme muitas coisas passaram pela minha cabeça. Estou falando do filme "O curioso caso de Benjamin Button".   "Nova Orleans, 1918. Benjamin Button (Brad Pitt) nasceu de forma incomum, com a aparência e doenças de uma pessoa em torno dos oitenta anos mesmo sendo um bebê. Ao invés de envelhecer com o passar do tempo, Button rejuvenesce. Quando ainda criança ele conhece Daisy (Cate Blanchett), da mesma idade que ele, por quem se apaixona. É preciso esperar que Daisy cresça, tornando-se uma mulher, e que Benjamin rejuvenesça para que, quando tiverem idades parecidas, possam enfim se envolver." Esse filme é considerado um dos mais interessantes que eu assisti esse ano por conta da discussão sobre o tempo, sobre os idosos e como as experiências são bem definidas por conta da idade. Além disso, um dos po...