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Colorismo: Uma das faces do racismo

   
   
Nayara Justino foi eleita Globeleza 2013 e logo depois começou a receber xingamentos nas redes sociais. Segundo alguns internautas, Nayara Justino era negra de mais para aquele papel. É justamente sobre essa frase que vou escrever hoje em parceria com o blog Maia Vox. Nós negros estamos sempre sendo expostos a julgamentos, quem nunca ouviu frases como essas? “Você não é negro, é moreno” ou “Seu cabelo é liso, você não é negro” ou até “Sua pele é clara, você não é negra. É só alisar o cabelo”. Pois é, sempre tentam colocar em julgamento a nossa negritude. Entre os próprios negros existem essas dúvidas e nervosismos criados pelo racismo, dúvidas essas que acabam rompendo a nossa identidade nos colocando em um vão sem representatividade.
         Já perceberam como as pessoas se incomodam quando falamos que somos negros e assumimos a nossa identidade? O nome disso é estranhamento, as pessoas estranham que algumas pessoas são empoderadas e assumem aquilo que muitos procuraram esconder durante anos.
        Por conta da nossa história, o processo de embranquecimento e todas as situações que ocorreram no Brasil, os negros tendem a anular a sua negritude como forma de defesa. Acham que se esconder e autodeclarar pardo, moreno, cor de jambo ou índio vai fazer com que o racismo acabe ou acham que fingir-se de cego, surdo e mudo irá ajudar no seu não sofrimento. Alguns até dizem que não existe racismo ou que nunca sofreu, esquecendo que o racismo está na estrutura da sociedade. Esquecendo que o racismo no Brasil é velado, é aquele que está bem escondido, mas ao mesmo tempo aberto a todos. É aquele que matou os jovens negros do Cabula de forma injusta e aquele que influencia as mulheres a alisar o cabelo ou prendê-lo nas empresas por conta do trabalho.
        Lembrando que como falando em alguns posts, “O colorismo ou a pigmentocracia é a discriminação pela cor da pele e é muito comum em países que sofreram a colonização européia e em países pós-escravocratas. De uma maneira simplificada, o termo quer dizer que, quanto mais pigmentada uma pessoa, mais exclusão e discriminação essa pessoa irá sofrer.” (Aline Djoki, 2015)
         
          Por conta do embranquecimento(a política de fazer com que o negro se torne o mais branco possível para ser aceito) e a utopia de miscigenação há divisões baseadas na cor de pele, traços faciais e tipos de cabelo que fazem com que instabilidades identitárias sejam criadas. Como por exemplo, Camila Pitanga é uma atriz negra que para algumas pessoas é considerada branca, justamento por ter uma pele mais clara e um cabelo mais liso.

            Voltando ao assunto Nayara Justino, ela sofreu na web justamente por conta da sua pele mais retinta que o público brasileiro não estava acostumado. Normalmente, as globelezas possuem um perfil de negras de pele clara e cachos soltos. Por conta da insatisfação pública, a globo mandou uma carta para Nayara e a trocou por outra globeleza nos “padrão globo”. A rede globo poderia ter aberto uma discussão sobre as agressões, mas preferiram jogar para de baixo do tapete e seguir em frente, como sempre foi feito com o racismo sofrido na televisão.
         Enfim, o colorismo é um braço do racismo do qual decide o nível de tolerância racial em cada ambiente, sendo que quanto mais retinta for a pessoa, mais barreiras ela terá de se incluir em alguns ambientes. É uma das faces do nosso racismo social e estrutural que terminam criando uma política do embranquecimento que forçam o negro a sempre está ficando mais branco, principalmente as mulheres. 
                     Vale lembrar, que esse post é uma parceria com Maiavox
                     Leia a continuação do texto no blog https://maiavox.wordpress.com/

Até mais,

Ícaro Santana

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