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SuperMax: A representação do negro na teledramaturgia brasileira

   

Recentemente, foi lançada na rede Globo uma série chamada SuperMax que está gerando algumas discussões sobre o racismo na televisão e a representação do negro na teledramaturgia.
Na trama, sete homens e cinco mulheres são selecionados para viver a experiência de um reality show nada convencional: três meses de confinamento em um presídio desativado no coração da Floresta Amazônica. A escolha de cada participante não foi aleatória. Ao contrário, os doze possuem algo em comum: todos já cometeram um crime na vida.
     A questão principal dessas discussões é a falta de negros no elenco de uma séria que representa uma cárcere, numa sociedade que, segundo o Ministério da Justiça, mais de 61% da população carcerária é negra. Entretanto, a discussão que permeia esse debate é muito maior do que o negro ser inserido no elenco, é como as negras e negros seriam representadas e representados dentro desse espaço.

Acontece que na teledramaturgia brasileira, as negras e negros sempre são representados por meio de personagens subalternos e quando protagonistas, são inviabilizados durante a trama. Segundo o publicitário e diretor executivo do Instituto Mídia Étnica, em entrevista dada ao Observatório do direito à comunicação, Paulo Rogério Nenes,
Em vários momentos da teledramaturgia e em outras produções da TV brasileira, há uma carga muito grande de estereótipos e preconceitos. Há uma ação deliberada para, além de sub-representar, colocar os negros e negras em patamar de desigualdade, de inferioridade. E isso é prejudicial para quem assiste. Para o jovem negro ou para a criança que está formando sua identidade isso é extremamente nocivo, pois exerce forte influência na forma de viver e ver o mundo. Por isso, se não atacarmos o racismo nesta esfera da produção, ele vai continuar sendo reproduzido em larga escala. É desproporcional termos tantas organizações e pessoas que falam em desigualdade racial pelo país e a TV reafirmar valores racistas.
E é aí que voltamos a discussão principal, a falta de personagens negros no elenco de SuperMax é algo negativo? Ou é interessante para a não reprodução dos estereótipos reproduzidos pela teledramaturgia brasileira? Imaginem uma série feita pela Globo com prisioneiras e prisioneiros negras e negros, imaginem como isso seria abordado, imaginem o quanto de racismo seria empregado por meio das cenas, e novamente o negro estaria sendo reproduzido de forma subalterna nas teledramaturgia.

Individualmente, não acho positivo e nem negativo, só acho que nossas crianças pretas não vão assistir mais uma vez, pretos e pretas em posições inferiores na televisão, enquanto não temos negras e negros como advogadas/advogados, como empresárias/empresários, como heróis/heroínas, rainhas/reis sendo transmitidos nas telinhas brasileiras.

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