Pular para o conteúdo principal

Distrito Federal: Onde os negros estão?

     Essa semana estivemos em Brasília na intenção de conseguir gravar com algum Senador sobre a PEC 55, antiga 241, e as influências na vida das pessoas negras, mas não conseguimos. Além de ir para a manifestação.
     Devido os nossos contatos, consegui entrar na câmara de deputados, e conhecer aquele local por dentro.
    Logo de cara tomamos um susto. Desde a recepção, até o segurança que ficava na porta eram pessoas brancas, os policiais que estavam ali, então, brancos padrões, pareciam aquela família Cullen de Crepúsculo.
   Ao entrar naquele espaço, a branquitude rapidamente foi captada, as pessoas olhavam as pessoas negras de "cima a baixo". Na realidade, além de mim, só vi mais alguns negros, os que limpavam e os que entregavam as fichas do restaurante do Ministério da Agricultura. Tanto na câmara dos deputados, tanto nos Shoppings, tanto nos ministérios que eu passei, os negros nunca estavam em funções administrativas, muito menos em espaços de poder, estavam sempre na limpeza ou em espaços subalternos ou nos mercados informais vendendo água, pipoca, flores, lanches.
    Para quem não sabe, de acordo com o censo experimental no ano de 1959, antes da inauguração de Brasília, realizado pelo IBGE , a população da região, que na sua grande maioria era de trabalhadores braçais, se configuravam em  55% da população se identificava como branca,45% como negras e pardas. Mas a estrutura racista fez o seu trabalho de colocar essas pessoas negras na periferia na cidade mais bem planejada do Brasil.

    Tendo o censo de 2010 como ano base, segundo a CONDEPLAN , verificou-se que 56,2% da população é composta por negros, pardos ou indígenas. Dentre as Regiões Administrativas (RAs), as três maiores em contingente populacional de negros são SCIA/Estrutural, Fercal e São Sebastião, notadamente locais conhecidos por rendimentos baixos. Todos os aglomerados subnormais (favelas) do DF possuem mais de 60% de população negra. Resumindo, negros e negras foram colocados na periferia de Brasília desde a sua construção.
    Só fiquei no Distrito Federal 12 horas e essa foi a minha impressão. Voltarei em breve com mais tempo.

Referências:
* http://www.agenciadenoticias.uniceub.br/index.php/286-mil-negros-e-pardos-ajudaram-na-construcao-de-brasilia/
* Condeplan
 
 
 

Postagens mais visitadas deste blog

A nossa miss Brasil é Preta!

     Essa edição foi a edição com mais candidatas negras na disputa. As candidatas deste ano representaram Bahia (Victoria Esteves), Espírito Santo (Beatriz Leite Nalli), Maranhão (Deise D’Anne), Paraná (Raissa Santana), Rondônia (Mariana Theol) e São Paulo (Sabrina Paiva). Segundo o IBGE, 54% dos brasileiros se consideram pretos ou pardos. Entretanto na nossa história só tinhamos tido um Miss Preta, Deise Nunes, em 1986.      Na edição do concurso no ano passado, apenas uma das 27 candidatas era negra. “Eles queriam que eu alisasse meu cabelo, afinasse meu nariz, mudasse meus traços, então, resolvi desistir”, revelou a modelo ao jornal Correio Braziliense . disse Amanda Balbino, Miss Distrito Federal.      Mas dessa vez foi diferente, depois de tanto tempo, conseguimos ter uma mulher preta como a mulher mais bonita do Brasil, a nossa miss Brasil. Temos certeza que Raissa Santana nos representará muito bem no Miss Universo...

O assédio não diminui quando a roupa aumenta.

Você lembra a roupa que usava quando foi assediada? Provavelmente foi um daqueles shorts curtinhos. Devia estar rebolando, insinuando-se, oferecendo-se. Bem feito! Eles não sabem se controlar, você é que tem que se dar respeito.  Se você é mulher, muito provavelmente já ouviu esse pensamento, ainda que não direcionado a sua pessoa. Num dia desses, de muito calor e ruas vazias, eu precisei sair sozinha . Influenciada por aquele pensar, vesti uma calça por mais quente que estivesse e saí pela porta acreditando que o comprimento da minha roupa me protegeria do assédio. Ledo engano. No caminho para o ponto de ônibus, um ser importuno me apareceu. Quis xingar a ele, mas fiquei com medo de apanhar. Apenas rezei para que o ônibus logo chegasse e segui receosa. Apesar de todas as discussões feministas que participei anteriormente, foi durante aquela viagem de ônibus que refleti e confirmei que as coisas andam muito erradas e que não, o assédio não diminui conforme a roupa aumenta . ...

Domingo é dia de Encrespar Salvador!

Peguem a visão, Mowbês, Dia 13 de Novembro acontecerá a II Marcha do Empoderamento Crespo de Salvador, com concentração no Campo Grande ao meio dia, saída às 14 em direção à praça Castro Alves. O movimento que levou mais de 4 mil pessoas às ruas no ano passado vem esse ano prometendo um afronte antirracista mais potente e mais unido, reunindo outros milhares de negros, negras, crianças jovens, adultos e idosos para afirmar que cabelo é nossa luta, resistência e história. A Marcha do Empoderamento Crespo de Salvador é movimento que se concentra na desconstrução negativa do fenótipo negro através da afirmação da estética negra.  Acreditamos que afirmação da estética negra é um passo importante para a construção da identidade de cada indivíduo negro e na superação do racismo e é por isso que estamos convocando todas as pretas e preto a ocuparem as ruas na luta. Segundo a comissão organizadora estimular cada pessoa negra ao reconhecimento positivo de s...